Secretaria da Saúde de Caxias do Sul executa ação para reduzir filas por cirurgias ginecológicas

Secretaria da Saúde de Caxias do Sul executa ação para reduzir filas por cirurgias ginecológicas

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) deu início neste mês a um projeto para reduzir a fila de cirurgias ginecológicas, que tem uma lista de espera de cerca de 700 pacientes desde o ano de 2020. A principal diretriz consiste na inserção de 150 DIUs Mirena (SIU Levonorgestrel). Este quantitativo foi adquirido por meio de uma emenda parlamentar de R$ 180 mil.

As cirurgias ginecológicas eletivas, com destaque para a histerectomia benigna (procedimento para a remoção do útero), figuram historicamente entre as maiores filas de espera no SUS. Assim, a colocação do Mirena representa uma alternativa terapêutica não cirúrgica, eficaz e segura, além de ser uma ferramenta estratégica de gestão e de regulação assistencial.

Ao ofertar uma alternativa terapêutica de longa duração e de alta eficácia para patologias benignas comuns, especialmente para o manejo do sangramento uterino anormal, promove-se a transição de um modelo puramente intervencionista para uma linha de cuidado ambulatorial, ágil, resolutiva e baseada em evidências científicas. O dispositivo apresenta eficácia de cerca de 80% na redução do fluxo menstrual e no controle da dor, consolidando-se como uma alternativa de menor custo e de menor risco de complicação do que o procedimento cirúrgico (histerectomia).

Segundo a médica ginecologista Damáris Chies Migot, diretora técnica de Atenção à Saúde da Mulher, serviço da SMS, o projeto não estabelece substituição automática do tratamento cirúrgico pelo tratamento clínico com o Mirena. Ele prevê uma reavaliação de todas as pacientes em lista de espera para histerectomia. Destaca, ainda, que a conduta será definida mediante avaliação individualizada, atualização do quadro clínico, análise de exames complementares também atualizados, critérios de elegibilidade, segurança e decisão compartilhada. “O projeto consiste em ofertar às pacientes que sofrem com sangramento uterino anormal, sangramento uterino que é hemorrágico, de etiologia definida e benigna, um tratamento hormonal através de um dispositivo intrauterino que não é distribuído pelo SUS, tem alta eficácia, baixo risco de inserção e pode excluir a paciente da lista de cirurgia. Esse projeto poderá evitar uma cirurgia desnecessária. As pacientes selecionadas conforme protocolo assistencial sairão de uma lista de espera e terão, de imediato, um tratamento eficaz em 80% dos casos, com baixa morbidade e fácil reversão, quando necessário. A paciente será submetida ao Mirena após ter passado por um rastreio básico de saúde, assim, também terá a oportunidade de ser rastreada quanto aos seus exames básicos de saúde ginecológica. É bem importante frisar que a paciente aguarde ser chamada, já que a UBS de referência fará este contato com cada paciente”.

A especialista também destaca a importância não apenas de fortalecer a saúde da mulher, mas também de melhorar o contexto social e econômico. “Muitas mulheres, devido ao sangramento uterino hemorrágico e recorrente, com seu desconforto e constrangimento inevitáveis, têm que ficar afastadas do trabalho e do convívio social. A maior parte destas mulheres é provedora do sustento e da organização da casa, sofrendo prejuízo significativo no mercado de trabalho e na assistência à família. Este projeto terá potencial de evitar um prejuízo socioeconômico para alguém que já vem sofrendo há anos. Destaco, também, que a paciente deverá passar por uma série de exames que garantam a segurança e a real necessidade do procedimento”, ressalta Damáris.

O secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno, reforça a importância da ação em pleno Outubro Rosa, mês de prevenção ao câncer de útero e de mama. “Desde que chegamos à Secretaria, uma das prioridades sempre foi aprimorar e buscar alternativas para reduzir as filas relacionadas à saúde da mulher. Fizemos mutirões, como o da Carreta da Mulher, inauguramos o Ambulatório da Mulher, a Sala Lilás (para dar apoio às vítimas de violência), reduzimos drasticamente as filas por mamografias, colocamos 2.660 unidades de Implanon, um recorde nacional, entre outras iniciativas. Agora, com a redução da espera para cirurgias ginecológicas, estamos dando outro passo para auxiliá-las a ampliar os cuidados, porque a rede de saúde se fará presente cada vez mais”.

ENTENDA

Principais objetivos ao introduzir opção terapêutica com o uso do Mirena e qualificar o processo de regulação do acesso à cirurgia ginecológica, promovendo:

I – atualização da indicação cirúrgica;
II – identificação de pacientes que necessitam de tratamento cirúrgico prioritário;
III – identificação de pacientes que precisam de reavaliação diagnóstica ou terapêutica;
IV – ampliação da utilização de alternativas clínicas quando indicadas;
V – redução de procedimentos potencialmente evitáveis;
VI – redução do tempo de espera para pacientes com necessidade cirúrgica efetivamente estabelecida;
VII – utilização racional da capacidade cirúrgica instalada;
VIII – melhoria da qualidade e continuidade do cuidado;
IX – produção de informações para planejamento e avaliação da política municipal.

Serão consideradas para avaliação no âmbito deste projeto as mulheres inseridas em lista de espera municipal para histerectomia eletiva de patologia benigna, especialmente aquelas com diagnóstico ou suspeita de:

  • mulheres acima de 40 anos com Sangramento Uterino Anormal persistente (sem resposta a tratamentos orais por, pelo menos, três meses);
  • mulheres acima de 40 anos com ecografia transvaginal apresentando miomatose e/ou adenomiose com presença de sangramento uterino sem resposta ao manejo com outros métodos hormonais. Excluem-se os casos em que houver deformidade da cavidade uterina identificada por ecografia transvaginal;
  • outras condições ginecológicas benignas passíveis de tratamento clínico;
  • hiperplasia endometrial sem atipias comprovado por anatomopatológico;
  • dor pélvica crônica associada à endometriose;
  • mulheres abaixo de 40 anos somente nos casos de sangramento uterino abundante.

Foto por Gisele Nozari

Fonte: Prefeitura de Caxias do Sul