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Domingo é marcado pela queda gradual das temperaturas, articulação para manter serviços hospitalares em Bagé e novos investimentos habitacionais; Estado também prepara municípios para possível El Niño

Por Redação Radar RS
Rio Grande do Sul, 14 de junho de 2026

O Rio Grande do Sul encerra este domingo, 14 de junho, diante de uma combinação de desafios climáticos, sociais e econômicos. A chegada de uma massa de ar frio deverá provocar queda acentuada nas temperaturas durante os próximos dias, com possibilidade de geada em diferentes regiões do Estado.

Ao mesmo tempo, o governo gaúcho anunciou ações relacionadas à manutenção dos serviços de saúde na Campanha, ao financiamento de novas moradias populares e à preparação dos municípios para possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño.

No campo, a conclusão da safra de verão revela recuperação na produção de soja e milho em comparação com o ciclo anterior, embora a produtividade tenha sido afetada por problemas climáticos e apresente grandes diferenças entre as regiões.

Temperaturas começam a cair neste domingo

O sistema de baixa pressão que provocou instabilidade nos últimos dias começou a se afastar do território gaúcho. Para este domingo, a previsão indicava chuva apenas em pontos isolados, especialmente no Norte do Estado e em áreas próximas ao litoral.

Com o afastamento das instabilidades, as temperaturas entram em declínio. Rajadas pontuais de vento ainda podem ocorrer em áreas costeiras, exigindo atenção de pescadores, moradores do litoral e usuários de pequenas embarcações.

Entre segunda-feira, dia 15, e quarta-feira, dia 17, uma massa de ar seco e frio deverá manter o tempo estável na maior parte do Rio Grande do Sul. Não há previsão de volumes significativos de chuva durante esse período.

A queda das temperaturas poderá provocar geadas, principalmente na Fronteira Oeste, Campanha, Serra e Campos de Cima da Serra. Produtores rurais precisarão acompanhar as atualizações meteorológicas, especialmente aqueles que mantêm hortaliças, pastagens, pomares e cultivos sensíveis ao frio.

Frio exige atenção com a população vulnerável

A aproximação dos dias mais frios do ano aumenta a preocupação com pessoas em situação de rua, famílias que vivem em moradias precárias, idosos e moradores que enfrentam dificuldades para adquirir roupas, cobertores ou equipamentos de aquecimento.

As baixas temperaturas também podem elevar a procura por serviços de saúde devido ao crescimento das doenças respiratórias. Crianças, idosos e pessoas com problemas pulmonares ou cardiovasculares formam os grupos que exigem maior atenção.

A Defesa Civil mantém em andamento a Campanha do Agasalho 2026, enquanto municípios gaúchos organizam ações locais de arrecadação e distribuição de roupas. O site estadual também disponibiliza sistemas de monitoramento meteorológico, dos rios e das áreas de risco.

Estado atua para manter atendimento na Santa Casa de Bagé

Na área da saúde, o governo estadual informou neste domingo que está articulando medidas para evitar a redução dos serviços da Santa Casa de Caridade de Bagé.

O hospital filantrópico atende pacientes pelo Sistema Único de Saúde e presta serviços de média e alta complexidade para diferentes municípios da Campanha. A instituição vem enfrentando dificuldades para manter as escalas médicas, principalmente no setor de obstetrícia.

A Secretaria Estadual da Saúde elaborou um plano de contingência voltado à assistência materno-infantil. A estratégia prevê a possibilidade de encaminhamento de gestantes para outros hospitais caso determinados atendimentos não possam ser mantidos em Bagé.

Os municípios de Aceguá, Candiota, Dom Pedrito, Hulha Negra e Lavras do Sul manifestaram disposição para contribuir financeiramente, em caráter temporário, com a manutenção da maternidade. A Secretaria da Saúde também solicitou ao governo federal a recomposição do teto financeiro destinado aos serviços de média e alta complexidade realizados pela instituição.

O caso evidencia uma dificuldade enfrentada por hospitais filantrópicos em diferentes regiões do Estado: o valor recebido pelos atendimentos do SUS nem sempre acompanha o crescimento dos custos com equipes, medicamentos, equipamentos, energia e manutenção.

Saúde mental recebe reforço regional

Outro destaque divulgado pelo Estado neste domingo é a expansão do programa AcompanhaRAPS, ligado ao SUS Gaúcho. A iniciativa já conta com 131 equipes voltadas ao acompanhamento de pessoas atendidas pela Rede de Atenção Psicossocial.

O programa busca fortalecer o cuidado territorial e reduzir a dependência exclusiva de internações, aproximando os serviços das famílias e das comunidades. A ampliação das equipes ocorre em um momento no qual municípios enfrentam crescimento da demanda por atendimento psicológico e psiquiátrico.

A continuidade dos programas dependerá da existência de profissionais, estrutura municipal, financiamento e integração entre unidades básicas, centros de atenção psicossocial, hospitais e serviços de assistência social.

R$ 33,78 milhões para novas moradias

Na habitação, o governo estadual repassou R$ 33,78 milhões para 11 cooperativas responsáveis pela construção de 1.689 moradias em Porto Alegre e outros dez municípios.

O recurso integra o Programa Porta de Entrada – Entidades e corresponde a uma complementação estadual de R$ 20 mil por unidade habitacional. Os valores serão liberados pela Caixa Econômica Federal conforme a execução das obras.

Os projetos contemplam Porto Alegre, Dom Pedrito, Campo Bom, Osório, Palmeira das Missões, Santana do Livramento, Taquari, Uruguaiana, Cruz Alta, Canguçu e Morro Redondo.

Entre os maiores empreendimentos estão 320 moradias em Porto Alegre, 301 em Uruguaiana e 300 em Campo Bom. Santana do Livramento terá 197 unidades, enquanto Palmeira das Missões reúne dois projetos que totalizam 198 casas.

Segundo o Estado, as duas primeiras fases da modalidade Porta de Entrada – Cidadão receberam R$ 270 milhões e ultrapassaram 13 mil subsídios pagos. Uma terceira etapa deverá receber mais R$ 50 milhões.

A modalidade rural também repassou R$ 12 milhões para a reconstrução de 600 moradias de produtores atingidos pelas enchentes.

Construção civil pode receber impulso

Além do impacto social, os programas habitacionais movimentam depósitos de materiais, construtoras, transportadoras, profissionais autônomos e prestadores de serviços.

A estimativa estadual é de que o Porta de Entrada tenha gerado uma movimentação superior a R$ 1 bilhão na cadeia da construção civil. O resultado inclui os recursos públicos e os valores relacionados aos financiamentos e às próprias obras.

O principal desafio será garantir que os empreendimentos avancem dentro do cronograma e possuam infraestrutura adequada. Habitação popular não envolve apenas a construção da casa, mas também acesso a água, saneamento, energia, transporte, escolas, unidades de saúde e oportunidades de trabalho.

Nova secretaria de Defesa Civil está em discussão

O governo estadual encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto para criar a Secretaria de Proteção e Defesa Civil.

A proposta busca transformar a atual estrutura em uma pasta com dedicação exclusiva ao planejamento, à prevenção, à resposta e à recuperação diante dos desastres. Entre suas atribuições estarão o mapeamento de áreas de risco, o monitoramento do tempo, dos rios e do solo, além do apoio técnico aos municípios.

A nova estrutura também deverá coordenar ações entre órgãos estaduais, prefeituras, instituições privadas e comunidades.

A proposta surge após sucessivos eventos extremos que atingiram o Rio Grande do Sul e mostraram a necessidade de planejamento permanente. O projeto prevê equipes formadas por servidores civis, integrantes da Brigada Militar, do Corpo de Bombeiros e militares temporários.

A criação da secretaria ainda depende da análise e aprovação dos deputados estaduais.

Municípios começam preparação para possível El Niño

O Estado também iniciou uma estratégia antecipada de preparação para um possível episódio de El Niño no segundo semestre.

Um seminário marcado para 17 de junho reunirá gestores de 70 municípios da Região Metropolitana. Posteriormente, deverão ocorrer encontros em outras regiões consideradas vulneráveis a enchentes, deslizamentos e temporais.

Sessenta municípios considerados prioritários receberão diagnósticos técnicos individualizados. Os documentos deverão reunir informações meteorológicas, hidrológicas, geológicas e sociais, além de apontar áreas críticas, imóveis localizados em zonas de risco e eventuais falhas nos planos municipais de contingência.

A seleção considera o histórico de desastres, o número de desabrigados, os prejuízos econômicos e a proximidade dos centros urbanos com rios vulneráveis.

Os modelos climáticos apresentados pela Defesa Civil indicam probabilidade de formação do El Niño entre 2026 e 2027. Segundo a meteorologista estadual citada pelo governo, as projeções apontam 63% de possibilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Apesar disso, os impactos concretos sobre o Rio Grande do Sul ainda dependerão da interação com outros sistemas meteorológicos. O período de maior atenção será entre o final do inverno e a primavera.

Safra de soja se recupera, mas produtividade fica abaixo do esperado

A Emater/RS-Ascar também atualizou os dados da safra de verão 2025/2026.

A produção gaúcha de soja foi estimada em 18,13 milhões de toneladas, crescimento de 32,9% em comparação com as 13,64 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior.

Apesar do aumento da produção total, a produtividade média ficou em 2.707 quilos por hectare, 14,8% abaixo dos 3.180 quilos por hectare projetados antes do plantio.

O resultado mostra que a recuperação ocorreu principalmente porque a safra anterior havia sido severamente afetada. A umidade elevada, as neblinas, a baixa incidência de sol e as diferenças na distribuição das chuvas prejudicaram determinadas regiões.

Produção de milho cresce 13,1%

A colheita do milho chegou a 98% da área cultivada. A produção estadual foi estimada em aproximadamente 5,98 milhões de toneladas, aumento de 13,1% em relação à safra anterior.

A produtividade média ficou em 7.362 quilos por hectare, praticamente no mesmo nível da previsão realizada antes do plantio.

Já a produção de milho destinado à silagem sofreu redução. Algumas lavouras inicialmente implantadas para a colheita de grãos precisaram ser transformadas em silagem depois de danos causados por geadas.

A primeira safra de feijão também apresentou resultado negativo. A área plantada caiu 22,3%, e a produção estimada ficou 26,3% abaixo da temporada anterior.

Prevenção precisa se transformar em política permanente

Os acontecimentos deste domingo mostram um Rio Grande do Sul que ainda trabalha para reconstruir estruturas e, ao mesmo tempo, tenta se preparar para novos desafios.

O frio e o risco de geada afetam diretamente as famílias e o setor rural. A situação da Santa Casa de Bagé demonstra a fragilidade financeira dos hospitais regionais. A demanda por moradias continua elevada, enquanto a possibilidade de um novo El Niño reforça a necessidade de planejamento.

Investimentos e anúncios representam etapas importantes, mas precisarão ser acompanhados de fiscalização, cronogramas públicos e resultados verificáveis.

Depois das experiências recentes, a prevenção não pode depender apenas de ações adotadas quando os alertas meteorológicos já foram emitidos. Mapear áreas de risco, preparar abrigos, manter hospitais funcionando e oferecer moradia segura são medidas que precisam fazer parte de uma política permanente de proteção à população gaúcha.


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