O governador Eduardo Leite assinou na quarta-feira (28/10), no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), em Porto Alegre, um decreto que institui 2027 como o ano dos centenários de Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, e de João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes. O ato foi acompanhado pelo secretário da Cultura, André Kryszczun.
O duplo reconhecimento busca homenagear a relevância de Teixeirinha (1927-1985) e de Paixão Côrtes (1927-2018) para a formação, a preservação e a difusão da identidade cultural do Rio Grande do Sul. Além disso, viabiliza uma oportunidade de ampliar a visibilidade de seus legados, estimular ações de memória e de educação patrimonial, promover atividades culturais em diferentes regiões do Estado e aproximar as novas gerações dessas referências históricas.
“Teixeirinha e Paixão Côrtes representam duas dimensões fundamentais da identidade gaúcha. Teixeirinha levou a música do Rio Grande do Sul para o Brasil e para o mundo, enquanto Paixão Côrtes dedicou sua vida a pesquisar, preservar e transmitir as nossas tradições. Ao instituirmos 2027 como o ano dos centenários dessas duas personalidades, reconhecemos não apenas suas trajetórias, mas a importância de manter viva a memória que nos constitui como povo”, destacou o governador.
Entre outras iniciativas, o projeto comemorativo prevê exposições, apresentações musicais, exibições audiovisuais e conteúdos digitais. Também possibilita a articulação de instituições públicas e privadas, entidades culturais, pesquisadores e representantes da sociedade civil em ações de valorização da memória e do patrimônio cultural.
“A homenagem conjunta, por meio do decreto que foi assinado, permite reconhecer diferentes dimensões da cultura do Rio Grande do Sul: de um lado, a contribuição artística e a popularização da música regional; de outro, a pesquisa, a preservação e a sistematização das tradições e manifestações culturais gaúchas”, destacou o secretário André Kryszczun.
Teixeirinha projetou Rio Grande do Sul com sua obra
Nascido no distrito de Rolante, que à época pertencia ao município de Santo Antônio da Patrulha, foi recordista em vendas de álbuns musicais, tendo recebido o apelido “O Rei do Disco”. Lançou mais de 50 álbuns, o primeiro deles em 1960. Em 1961, conheceu a acordeonista Mary Terezinha, que o acompanhou por 22 anos.
No cinema, escreveu o roteiro do longa-metragem “Coração de Luto”, estrelou “Motorista sem Limites” e, pela Teixeirinha Produções Artísticas, produziu dez filmes. Também apresentou o programa “Teixeirinha Amanhece Cantando”, nas rádios Farroupilha e Gaúcha.
Legado cultural de Paixão Côrtes

– Foto: Claudio Fachel/Palácio Piratini
Já o pesquisador, folclorista e tradicionalista Paixão Côrtes foi um dos principais idealizadores e protagonistas do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Nas décadas de 1940 e 50, junto a Barbosa Lessa e outros tradicionalistas, criou a Chama Crioula, o Desfile dos Cavalarianos, a Ronda Crioula (que, posteriormente, originou a Semana Farroupilha), e o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG) – o 35 CTG, fundado em 1948.
Em 1954, serviu de modelo para a célebre escultura do Laçador, do escultor Antônio Caringi. Patrono da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, realizada em 2010, Paixão Côrtes teve, ao longo de sua trajetória, atuação fundamental para a pesquisa, a documentação e a valorização das manifestações culturais do Estado, por meio da preservação e da transmissão do patrimônio imaterial gaúcho – como a dança, a música, a indumentária, os costumes e outras expressões da cultura tradicionalista.
Texto: Ascom Sedac
Edição: Secom
Fonte: Governo do Estado
