Startups levam inteligência artificial para desafios do chão de fábrica na Mercopar 2026

Startups levam inteligência artificial para desafios do chão de fábrica na Mercopar 2026

A inteligência artificial começa a ganhar aplicações concretas em pequenas e médias indústrias, com soluções voltadas a problemas como gargalos de produção, manutenção de equipamentos, interpretação de dados e rastreabilidade. Parte dessas tecnologias será apresentada no Espaço Startups da Mercopar 2026  (https://mercopar.com.br/), a maior feira de inovação industrial da América Latina. A iniciativa aproxima startups e empresas industriais para estimular conexões e encontrar respostas para desafios reais da operação. As inscrições estão abertas e são gratuitas. A feira é uma realização do Sebrae RS e Sistema FIERGS e acontecerá de 20 a 23 de outubro no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS).

Para David Viegas, gestor de Projetos de Inovação do Sebrae RS, a ampliação do acesso a inovações de ponta está ligada à evolução das próprias ferramentas disponíveis no mercado. Recursos de IA, computação em nuvem, APIs e plataformas permitem que negócios menores utilizem tecnologias que, até poucos anos atrás, exigiam investimentos elevados em infraestrutura e equipes especializadas. “A inteligência artificial está começando a ser incorporada em problemas muito concretos do dia a dia da indústria, e não apenas em projetos de inovação de longo prazo”, complementa.

De acordo com Viegas, a produção e os recursos podem contribuir para identificar gargalos, otimizar processos, reduzir desperdícios e aprimorar o planejamento. Na manutenção, a análise dos dados dos equipamentos ajuda a reconhecer sinais de possíveis falhas antes que elas ocorram, reduzindo o risco de paradas não planejadas. “A tecnologia também pode apoiar a organização e interpretação de informações geradas pelas empresas e o acompanhamento de produtos, insumos e etapas produtivas, ampliando o controle sobre os processos”, ressalta o gestor.

Para Victor Gomes, gerente executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema FIERGS, o desafio é fazer com que empresas de diferentes portes transformem o potencial da inteligência artificial em resultados concretos. Entre os principais obstáculos estão a escolha de aplicações adequadas, a organização de dados confiáveis, a preparação das equipes e a integração das ferramentas à rotina industrial. “A prioridade deve ser o resultado para o negócio”, comenta. Segundo ele, a adoção da tecnologia precisa considerar indicadores que permitam avaliar os ganhos efetivos de produtividade, como a redução de perdas, do retrabalho e do tempo de parada dos equipamentos.

Um dos exemplos é a Frete Gestão, de Bento Gonçalves, que desenvolve soluções para gestão de fretes e atua na digitalização de processos logísticos. O CEO Bruno Benini destaca que a experiência da empresa acompanha uma mudança na forma como as organizações avaliam novas ferramentas, priorizando aplicações capazes de produzir efeitos mensuráveis na rotina. “A indústria não quer tecnologia apenas porque é novidade; ela quer ganhar produtividade, reduzir atividades manuais, melhorar a qualidade das informações e tomar decisões mais rápidas”, afirma.

Na operação logística, Benini identifica espaço para substituir rotinas fragmentadas por processos integrados. Planilhas, e-mails e WhatsApp ainda fazem parte de atividades que poderiam ter informações centralizadas e tarefas automatizadas. Ele destaca que “existe uma oportunidade enorme de centralizar informações, automatizar tarefas e transformar dados que já existem dentro das empresas em inteligência para a tomada de decisão”.

O avanço do modelo de “software como serviço” também mudou a forma de acesso a esse tipo de recurso. Uma pequena ou média empresa pode contratar uma solução já desenvolvida e aprimorada a partir da experiência de diferentes operações, em vez de criar internamente toda a estrutura necessária. Para o CEO, entretanto, a adoção não termina na contratação da ferramenta: é preciso envolver as pessoas que participam dos processos, organizar os dados e estar disposto a rever rotinas consolidadas.

A participação em eventos como a Mercopar também cumpre uma função no desenvolvimento das startups. O contato direto com empresas de diferentes portes e segmentos permite conhecer demandas, testar hipóteses e identificar possibilidades de aperfeiçoamento das soluções. “Para uma startup, estar próximo de quem efetivamente utiliza e contrata tecnologia ajuda a validar o que estamos construindo e a identificar novas oportunidades de evolução da solução”, explica Benini.

Do lado das empresas que adotam essas ferramentas, David Viegas aponta outros pontos de atenção. Qualidade dos dados, definição dos casos de uso, retorno do investimento, segurança das informações, integração com sistemas existentes e capacitação das equipes estão entre os desafios. “Mais do que simplesmente falar em adotar IA, é importante que a empresa comece identificando qual problema quer resolver e qual resultado pretende gerar”, ressalta.

É nesse contexto que o Espaço de Inovação da Mercopar 2026 aproxima negócios de base tecnológica e representantes da indústria. O ambiente reúne soluções em áreas como inteligência artificial, automação, análise de dados, softwares, logística e rastreabilidade, criando oportunidades para que empresas conheçam ferramentas aplicáveis às suas operações e para que startups tenham contato direto com potenciais usuários e parceiros.

Mercopar 2026

Data: 20 a 23 de outubro

Local: Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, Caxias do Sul-RS

Horário: 13h às 20h

Informações e inscrições: https://mercopar.com.br/

Fonte: Agencia Sebrae RS